Mão no Malte: Entendendo um pouco mais sobre Cerveja Caseira

15 de novembro de 2018 72 Por blogmundodacerveja

Por: Regina Melo

Fala galera, tudo tranquilo?

 

Bom, quem já me conhece sabe que não sou uma Cervejeira com tanta experiência assim. Mas a paixão por esse líquido sagrado me fez buscar algum conhecimento e um pouco mais de prática. Para isso, fui atrás de leituras, cursinhos e claro, me meti a produzir com colegas da Confraria. Então, espero poder passar um pouco desse conhecimento e experiências pra vocês.

Antes de ir direto com a mão no “malte”, ops digo, com a mão na massa..rsrsrs, nesta primeira matéria vou falar um pouco sobre os ingredientes básicos pra produção de cerveja.

Será uma leitura de fácil entendimento para quem está começando e ainda não manja muito dos “paranauês”…rsrsrs.

A cerveja artesanal vem ganhando campo cada vez maior e muitos “devotos”, pode se dizer assim. E vou lhes falar, é um prazer muito “phoda” quando você abre uma Breja que você mesmo produziu. Mas para isso precisa saber umas coisinhas básicas.

 

Então, vamos conhecer os ingredientes básicos para produção desta maravilha?

O Lúpulo: Uma planta trepadeira da família das Canabináceas. Você sabia que essa plantinha mágica interfere nas características sensoriais? Pois é, uma plantinha quase que “mágica”, pois dá o toque todo especial na nossa cerveja!

Existem diversos tipos de lúpulos e cada um com fator importante para a cerveja. Eu particularmente amoooo essa plantinha…rsrsrs.

Como e em que momento é usado o Lúpulo?

Ele é adicionado na fervura, nesta etapa ele é responsável principalmente pelo amargor, e de acordo com o tipo e tempo em infusão a quente, ele pode ser usado também para aroma, no caso das adições mais tardias, mais no final da fervura.

Ele também pode ser usado para aumentar o aroma. Nesse caso, na infusão a frio durante a fermentação, mais conhecida como Dry Hopping (esse processo é sinistro de tão maravilhoso..rsrs).

Temos lúpulos de várias regiões do mundo, mas os mais utilizados no Brasil são os alemães, ingleses e americanos. Cada lúpulo terá uma quantidade “x” de alfa e beta-ácidos e características sensoriais que vão dizer se ele será usado para amargor, para aroma, as vezes poderemos ter lúpulos que faz as duas funções só mudando o tempo em que ele ficará em infusão com o mosto durante a fervura. Alguns mais cítricos, outros mais frutados, outros mais neutros, e por ai vai. Basta você saber exatamente o que você quer da sua cerveja, para escolher o lúpulo certo!

O Malte: Nada mais é do que um grão germinado. O mais utilizado nas cervejas artesanais é o de cevada, mas pode-se usar o de trigo ou centeio. Só não vai usar o de milho heim…..rsrsrsr (zuera). O malte é seco e pode ser torrado ou não. A torrefação do grão é que será responsável pela cor e sabor. Tipo, menos torrado puxa mais pro chocolate e mais torrado puxa mais pro café.

Os maltes são divididos em: Maltes base: Pilsen, Pale ALE e trigo principalmente.

Maltes especiais: Caramelos como o Munich, o Carared e o Melonoidina que vão dar mais característica de caramelo pra sua cerveja. Para aroma e sabor mais torrados, existem o Chocolate, Biscuit, etc…

A Levedura: É o chamado “fermento”, que vai fazer o processo de fermentação da cerveja e ai se “alimentar” dos açúcares do mosto (liquido açucarado extraído através da fervura da água com os maltes) e produzir álcool e gás carbônico. É isso mesmo que vc leu!! É nessa hora que começa a mágica do álcool na cerveja. Isso acabou com muita gente quando me perguntavam (numa brassagem aberta) em que momento se colocava o álcool na cerveja. Mas é uma dúvida muito comum para quem nunca produziu ou nunca soube como se produz. Então lembrem-se “não se coloca álcool” na cerveja viu galera!

Como escolher a levedura?

O tipo de levedura é escolhido de acordo com o tipo de cerveja que ela vai fermentar. Exemplo: pra uma Lager é uma levedura pra fermentação em temperaturas mais baixas, tipo na faixa de 10, 12 graus e pra uma ALE é uma levedura para temperaturas mais altas, tipo na faixa de 18, 20 graus. Isso vai alterar as características finais da cerveja e manter ela no estilo q se espera. Cada levedura tem uma faixa de temperatura que ela trabalha melhor e geralmente vem indicado na embalagem!

A Água: A água para produção de cerveja, nós preferimos usar galões de água mineral com PH baixo ou próximo de neutro.

Mas o que é esse tal de PH, Regina?

O nome, ou melhor, a sigla, significa Potencial Hidrogeniônico. Nada mais é do que um índice que mede a alcalinidade, acidez e a neutralidade, nesse caso, da água. Esse índice varia em escalas que vai de 0 a 14.

E como vou saber disso?

Hoje em dia já existem vários métodos e aparelhos para medir e controlar o PH da água, mas não se assuste nada que uma boa leitura mais aprofundada não resolva.

Por isso indico este site para quem quiser dar uma pesquisada:

https://www.hominilupulo.com.br/cervejas-caseiras/ph-e-agua/

 

Mas é obrigatório fazer essa medição?

Na verdade muitos começam sem esse “trem ai”, até porque a fervura ajuda a ajusta-lo e ao colocar o malte o mosto (liquido açucarado extraído através da fervura da água com os maltes) também ajuda a dar uma equilibrada no PH.

 

Qual seria o PH ideal?

Para uma Brassagem simples, utilizamos o PH em torno de 5,2 a 5,3.

 

Caraaaaaca!!!! São muitas etapas e processos a serem aprendidos né? Não vamos fazer disso aqui um curso de Brassagem, mas seria tipo, um pontapé inicial para dar uma noção básica da coisa.

Só que não acaba ai não viu, um cervejeiro caseiro nunca para de ler, estudar, testar e o melhor de tudo nunca para de degustar…..rsrsrsrs.

Se você ficou interessado em saber como produzir cerveja em casa, é só ficar ligadinho na próxima matéria.

Se tiver qualquer dúvida é só deixar nos comentários que respondo ok!

 

  1. Agradecimento em especial ao meu sócio e parceiro de brassagem, Jonas Martins Maciel (@jonasmmbeer), pela parceria de sempre.

 

Valeu galera!