Mão No Malte: Brassagem em casa com o BIAB

7 de janeiro de 2019 46 Por blogmundodacerveja

Por: Regina Melo

 

Fala galera, tudo tranquilo?

Quanto tempo né?

Final de ano é sempre uma correria ducaraew né? E aqui não seria diferente..rsrsrsrs

Fim de ano conturbado por aqui. Primeiro o celular deu “Tilti”, depois meu PC. Ai comecei a me benzer porque cada vez que tentava terminar a matéria, dava algo errado. Mas enfim, consegui!!! E vamos lá….

Nessa matéria irei falar de um método fácil e barato para se produzir cerveja em casa. Mas lembrem-se, não é uma “aula”, apenas contarei nosso processo informando os métodos e materiais utilizados, ok!!

O método utilizado nessa brassagem foi o BIAB (Brew in a Bag), que consiste em produzir cerveja com apenas uma panela com uma espécie de “coador”, também conhecido como Bag, chique né?!….rsrsrsrs

Normalmente esse “coador”, é feito com tecido chamado Voil (aqueles tipo tule, só que com tramas um pouco mais fechadinhas).

Importante lembrar que deve ser sanitizado (processo de esterilização do coador) que é fervido e depois pode ser utilizado também o álcool 70º.

Vamos com a “Mão no Malte”

Nossa RED ALE de Natal/2017

Esta brasagem foi realizada na casa do casal cervejeiro mais alegre e gente boa com quem brassei, o Renato (o chamo de Professor, porque foi ele quem me ajudou na primeira tentativa…rsrsrs) e a Naná, uma mulher maravilhosamente divertida!

Bom, primeiro de tudo, calculamos a quantidade de água necessária.

Como usamos uma água mineral com PH de 5.5 não fizemos tratamento do PH desta água.

Água foi aquecida até chegar em 67°, adicionamos os grãos, mexendo sempre para não criar “pelotas” ou “grumos”, e deixamos nessa temperatura (de 67°) por aproximadamente 01 hora e 30 minutos (sempre de olho no termômetro).

Fizemos o teste de iodo, que é assim, num recipiente branco, colocamos duas gotas separadas de iodo puro, misturamos uma gota do mosto a uma das gotas de iodo. Quanto mais parecida a cor do iodo puro ficar com a cor do iodo misturado, melhor foi feita a conversão dos açúcares.

(Se a mistura do iodo com o mosto estiver preta, ainda não está pronta)

Depois fomos para mash out, (também conhecido como, a inativação das enzimas) ou seja, nesse processo, subimos a temperatura até 76°, mexendo sempre, e após atingir os 76º deixamos agir por 10 minutos.

Depois levantamos o Bag (coador) deixando escorrer bem. Utilizamos uma roldana para facilitar esse processo pois não tínhamos forças o suficientes para levantar no braço, faltou força etílica nessa hora….kkkkkkkkk

Iniciamos então o processo de fervura que vai levar uma hora.

Assim que o mosto começou a ferver fizemos a primeira adição de lúpulo.

Quando faltavam 5 minutos para acabar o tempo da fervura fizemos a adição do segundo lote de lúpulo (mas nessa parte fomos repor as forças etílicas e esquecemos da foto…kkkkkkkkk). Numa RED ALE se privilegia os maltes e por isso os lúpulos usados de aroma e pouco de amargor;

Depois de 1 hora de fervura, desligamos o fogo e fizemos o whirlpool, que ajuda em fazer uma maior clarificação do mosto. Se faz com a pá ou com uma furadeira e um misturador de tinta virgem heim, não vão usar um trem sujo de tinta né…rsrsrs

Há uma brincadeira entre os Homebrew’s que diz que assim é Whirlpool Nutella….kkkkkkkk Mexemos muito e deixamos descansar um pouco.

Usamos o densímetro para medir a Densidade Inicial, ou seja, o Original Gravity (o famoso OG). A densidade esperada pela receita era um OG de 1050, nós atingimos uma OG de 1054. Isso significa que tivemos uma boa eficiência na brasagem. (Eba, nós “semu phodinha”….rsrsrsrsr).

Ai vem a parte chata na minha opinião, que é fazer o resfriamento da cerveja.

Quando termina o processo de fervura do mosto, ele precisa ser resfriado a aproximadamente uns 20º. Para isso utilizamos um Chiller de Imersão (que é uma serpentina onde passará agua gelada) que é colocado dentro da panela.

Uma mangueira foi conectada a uma torneira e passou por dentro de um recipiente grande com muitoooooo gelo e engatada em uma boca do Chiller, essa água gelada passou por dentro dele e assim, resfriando o mosto. Mas atenção, pois na outra boca do Chiller terá outra mangueira por onde essa agua sairá quente. Então, muito cuidado com onde desembocará essa água para não se queimar!!

Estamos quase lá!

Antes do resfriamento, é feito a sanitização do fermentador (essa parte é a mais perigosa para uma contaminação se não for muito bem feita. Aí adeus brejinha).

Engatamos uma mangueira menor na torneira da panela por onde foi transferido o mosto para dentro do fermentador. Usamos uma espécie de peneira para evitar que algum resíduo fique na cerveja.

E é ai que entra a queridinha da levedura (que já estava hidratando, em temperatura ambiente, em água fervida, no início da brasagem). Essa levedura foi adicionada no fermentador que foi lacrado.

Na tampa do fermentador foi colocado o Airlock tipo “S” com álcool 70º dentro dele (o Airlock é uma válvula que serve para impedir a entrada de ar de fora para dentro do fermentador, evitando a desagradável contaminação).

Agora é só colocar num ambiente de climatização regulável (usamos uma geladeira com um termostato externo) ficou aproximadamente uns 5 dias a 18º. Depois fomos subindo a temperatura 1º por dia até chegar a 23º ficando uns 2 dias assim. Após isso deixamos a 16º por mais 5 dias para maturar um pouco.

Forçamos a clarificação dela com o Cold Crash, (que é só um nome mais bonitinho) processo de baixar de uma vez só a temperatura. Ou seja, de 16º foi de vez para 0°.

Ai entra o priming com açúcar caseiro (priming é um processo que utiliza o açúcar para adicionar gás na cerveja, a carbonatação).

Transferimos a cerveja para um balde já sanitizado, dissolvemos o açúcar em 3 vezes o seu peso em água, colocamos essa mistura para ferver (máximo de 5 minutos) e adicionamos essa solução ao balde e ai engarrafamos. Já engarrafada ela ficou uns 15 dias em temperatura ambiente para a eficácia da carbonatação.

Agora as loucuras desta experiência. Bom, primeiro esta foi feita para ser uma RED ALE, e como o nome já diz, é para ser vermelha né? Mas ficou caramenlo….rsrsrsrsr

Corrigimos a cor com beterraba ralada e pré-cozida (para tirar o gosto de terra e não influenciar na cerveja. Ralamos umas 20 beterrabas e colocamos numa peneira cônica de aço em uma espécie de banho-maria para não ter que retirar os pedaços dela depois.

Pensem na correria para dar certo (por isso não tem foto..rsrsr) mas acho que deu certo pois ai está a lindeza.

Ela ficou assim: IBU 21, ABV 4,8%, Cor 32 e OG de 1049. O aroma e sabor ficaram incríveis.

Aproveitando para agradecer aos Confrades e Amigos, Naná e Renato pela parceria de sempre.

É isso meus amigos, espero que tenham gostado e se liguem nas próximas matérias!

Brigaduuuuuuuuuu.