Mulheres no Mundo da Cerveja: Dia Internacional da Mulher

Mulheres no Mundo da Cerveja: Dia Internacional da Mulher

8 de março de 2019 2 Por blogmundodacerveja

Olá galera cervejeira, tudo bem com vocês? 

Hoje é dia 08 de março, Dia Internacional da Mulher. Sim, concordo que todo dia é dia das mulheres, mas nada como uma data especial. E sim, esse dia é um dia importante também para o BMdC, pois além de o blog ter duas colunistas que são amigas muito queridas, a Dani Bozetti e a Regina Melo, também comemoramos o dia 08/03 pois sem as mulheres não teríamos essa bebida maravilhosa a qual esse blog presta homenagem dia após dia há mais de três anos. É sabido a enorme importância e contribuição feminina no mundo cervejeiro. Podemos dizer seguramente que sem as mulheres não existiria cerveja, ou na melhor das hipóteses ela seria muito diferente do que é hoje em dia. 

No ano passado, o BMdC prestou uma homenagem às mulheres cervejeiras na nossa página do Instagram (se ainda não nos segue lá, não perca tempo, é @blogmundodacerveja), e tivemos a presença de 53 amigas cervejeiras que nos enviaram cada, uma linda foto sua bebendo, degustando, aproveitando a vida ao lado de uma bela cerveja. E esse ano estou fazendo algo um pouco diferente. Convidei três das mulheres mais importantes do mercado cervejeiro brasileiro para falar um pouco sobre elas, de como a cerveja chegou em suas vidas, sobre o que é liderar uma cervejaria, e também sua opinião sobre a retomada feminina do mundo cervejeiro, sendo que a cada dia temos mais mulheres Sommelières, Mestras Cervejeiras, Donas de cervejarias. São elas (em ordem alfabética) a Karin Moraes da Cervejaria Leuven, a Luiza Tolosa da Cervejaria Dádiva, e a Suelen Presser da Klein Cervejaria. 

Karin Moraes, da Cervejaria Leuven

Da linda cidade de Piracicaba, vem a mãe de dois filhos (Gustavo com 07 anos, e Rafaela com 04 anos) Karin Moraes que está fazendo um trabalho maravilhoso com a Cervejaria Leuvene que nos conta um pouco sobre sua vida. Fala aí Karin, fique à vontade! 

Sou Engenheira Agrônoma, com pós-graduação em negócios pelo InsperSommelierè de cervejas, Mestre em Estilos e cursando o Técnico Cervejeiro (todos pelo ICB). 

Como entrei no mundo da cervejaria artesanal? 

Trabalhava em uma grande rede de varejo e já estava lá a mais de 10 anos. Minha responsabilidade era desenvolver novos mercados como o de produtos orgânicos. Nesta mesma época o mercado de cerveja artesanal estava em plena evolução é isso já me chamava a atenção., pela paixão pela cerveja e uma vontade doida de empreender. Foi aí que houve uma conjunção de fatores: o nascimento do meu primeiro filho, minha decisão de sair do meu trabalho e a chegada na Leuven. Foi a união de tudo que buscava. A Leuven precisava de uma transformação e era uma terra fértil para que construíssemos uma cervejaria inovadora.  

O mercado cervejeiro é bastante competitivo, com carga tributária excessiva e elevados custos logísticos. Liderar uma cervejaria significa pensar todos os dias o que podemos fazer diferente para enfrentar essas dificuldades. É desafiar o time, os paradigmas, construir um ambiente colaborativo, construtivo. Dar liberdade com responsabilidade. Problemas todos tem. O que diferenciará as histórias de sucesso no futuro vai ser a forma como cada cervejaria lida com as dificuldades e problemas, estamos felizes com os resultados alcançados até agora, com premiações importantes como o World Beer Cup e 7 medalhas em 2 anos no World Beer Awards. Mas queremos mais! Em relação à participação feminina, acredito na capacidade de liderança das mulheres, na força e na determinação. Temos um sexto sentido (risos) e isso faz com que nossa relação com os homens seja complementar e não de competição. 

Meus filhos, Rafaela e Gustavo, tem 4 e 7 anos… falam que virão trabalhar com a mamãe na cervejaria. E o maridão, Gustavo, saiu de um grande fundo de investimento de São Paulo e agora está se dedicando 100% a Leuven, neste novo momento pós crowdfunding, nova fábrica, e aguarde, novidades por aí em breve… 

Luíza Tolosa, da Cervejaria Dádiva

Sem dúvidas, uma das mulheres mais importantes desse mundo cervejeiro é a dona de uma das maiores cervejarias artesanais do Brasil, estamos falando da Luiza Tolosa da Cervejaria Dádiva. Luiza, a casa é sua, solta o verbo!! 

Sou Sócia Fundadora da Cervejaria Dádiva, que completa 05 anos de vida. Eu sempre quis trabalhar com produtos artesanais, e acabei identificando na cerveja artesanal uma oportunidade de negócios, já que queria empreender, e dessa forma cheguei a cerveja. Pela oportunidade e vontade de trabalhar com algo verdadeiro, com ingredientes para agregar sabores e aromas aos produtos, sem nenhum tipo de aditivo e conservantes, coisas que não gosto e também não acredito. 

Na Dádiva, começamos fazendo poucos estilos, teve um tempo que trabalhamos com ciganos, e hoje temos uma distribuidora onde distribuímos outras marcas além da Dádiva. Esse ano chegamos a um marco na Dádiva onde temos mais mulheres que homens na fábrica, privilegiamos a diversidade, achamos que ela é fundamental, e estamos com mulheres em todas as áreas da fábrica. Longe de nós pensar que só mulheres é o ideal, de forma alguma, como disse anteriormente, respeitamos muito a diversidade, mas para a Dádiva é um marco atingir isso. 

Dádiva lançou mais de 100 rótulos, muita coisa criativa e inovadora. Apoiamos vários projetos de apoio a mulher. Nosso primeiro projeto foi o ELA, onde eu participei pessoalmente nesse coletivo feminista. Produzimos essa cerveja que era uma Barley Wine e os lucros foram doados para uma organização de apoio a mulher, depois fizemos uma cerveja do Outubro Rosa em 2017, e ano passado fizemos a Batom Vermelho, uma cerveja desenvolvida por uma confraria de mulheres cervejeiras. E em março iremos lançar mais uma cerveja feita especialmente para o mês da mulher: a Marilyn, uma Smoothie Berliner Weisse com Pitanga, com um leve toque de baunilha e o lúpulo Monroe, em homenagem a Marilyn Monroe. Cerveja feita colaborativamente entre a Dádiva, a Japas, onde as três socias fundadoras são mulheres, e a Hildegard do Rio Grande do Sul. 

Pelo fato de trabalhar em um mercado bastante masculino e machista, não só o mercado cervejeiro como um todo, a gente se depara com algumas dificuldades, lá atrás me deparei com muito mais dificuldades do que hoje em dia, e é muito bom que esse assunto venha à tona, com as pessoas refletindo um pouco mais, vendo se é possível mudar algumas atitudes. Felizmente estamos em um momento um pouco melhor que já tivemos, mas ainda temos que lutar muito para conseguir ter igualdade entre gêneros, com uma sociedade menos machista, e não ter cervejarias, bares, lojas ou restaurantes no geral onde as pessoas escolhem as pessoas pelo sexo. Na Dádiva, sempre que temos uma vaga aberta, procuramos identificar se a vaga é mais conhecida como uma vaga ocupada por homens, e fazemos questão de chamar mulheres para entrevista para conhecer e poder dar oportunidades para pessoas que receberam vários nãos por conta do seu gênero. 

Suellen Presser, da Klein Cervejaria

E da cidade de Campo Largo – PR, vem uma verdadeira mulher maravilha, pois ela além de liderar uma das grandes cervejarias brasileiras, também é Chef de Cozinha apaixonada pelo mundo da fumaça, Sommelière, atleta, mãe de dois filhos (Martin com 15 anos e Erik com 12 anos) e esposa. Ufa, é um se vira nos 30 como me contou a Suelen Presser, dona da Klein Cervejaria e que nos conta um pouco sobre sua vida. Fique à vontade Suelen!  

A minha imersão no mundo da cerveja foi de forma bem artesanal.  Produzindo cerveja na panela, sendo auxiliar do maridão, Henrique Presser. Depois de conhecer a verdadeira cerveja, foi uma paixão de primeira vista, um verdadeiro caminho sem volta. E de auxiliar do marido, passei a fazer cursos na área e me aprofundarHoje em dia é cerveja que corre em minhas veias, amo cerveja e vivo cerveja.  

Por mais que eu seja atleta, cerveja nunca interferiu no meu desempenho físico. Muito pelo contrário. Acho que ela é fundamental e válvula de escape para aguentar o tranco kkkkk. 

Sobre a retomada feminina do mundo cervejeiro, há doze anos quando eu iniciei tinham apenas quatro mulheres, existia muito preconceito porque além de eu ser mulher eu era muito jovem. Mas como o mercado foi crescendo e as mulheres arregaçando as mangas neste segmento, nós criamos forças, pois pra variar precisamos mostrar que temos capacidade de inovar e se destacar em qualquer ramo de atividade. Hoje estamos aí, com grande representatividade no mercado. Uma mulher que me ensinou muito foi Kathia Zanatta. Foi além de minha professora, a minha inspiração. Graças a evolução do mercado o cenário vem mudando, mas ainda existe preconceito. Bom, hoje a mulher é destaque pela criatividade e inovação no setor. Nós unidas somos mais fortes.